"A voz de Paulo Autran, como a de Orfeu, está a serviço da sedução e da poesia. Ouvi-lo é mais que ouvir meio século de teatro no Brasil, é ouvir a voz intemporal que une a Grécia aos dramas tropicais. Ao gravar Fernando Pessoa continua seu trabalho poético-teatral que há décadas vem reunindo Drummond e Gonçalves Dias.
Aqui, a doçura de sua voz, a fúria de sua voz, o drama de sua voz, a ironia de sua voz fazendo falar a ironia, o drama, a fúria e a doçura de Pessoa e todos nós. O gesto da voz. O gesto na voz. O corpo ausente, a voz flutua, emerge, irrompe, atalha, pontua.
A voz pura, como a poesia, dizendo-se a si mesma. "Ode triunfal", por exemplo, é uma aula magna de dicção, de sonoridade, significados e inflexões. Neste século em que a poesia tornou-se por demais gráfica e opaca, a voz de Paulo Autran recupera o sentido oracular do mistério poético".
Affonso Romanno de Sant'Anna
POEMAS:
Autopsicografia Vem sentar-te comigo Lídia O guardador de rebanhos (parte VIII) Cruz na porta da tabacaria Aniversário O menino da sua mãe Poema em linha reta Quero ignorado Se te queres matar Tenho dó das estrelas Esta velha angústia Ah, um soneto... Grandes são os desertos Vem, noite O monstrengo Ode triunfal Quando era jovem
Fernando Pessoa
Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; Escrito entre 1913-15; Publicado em Atena nº 5, Fevereiro de 1925
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Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; Escrito entre 1913-15; Publicado em Atena nº 5, Fevereiro de 1925
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