A mão e a luva – Machado de Assis
O que faz duas pessoas se ajustarem como mão e luva? Simplesmente o amor? Ou os interesses particulares são decisivos?
Estevão, jovem apaixonado, romântico e patético, típico herói do Romantismo, apaixona-se perdidamente por Guiomar, moça humilde e sincera, de rara beleza, determinada e inteligente. Mas o amor do rapaz não é suficiente: Guiomar, apesar de respeitá-lo, não se interessa por ele.
Luís Alves, seu melhor amigo e confidente, jovem perspicaz e ambicioso, aconselha-o, sempre, desde suas primeiras crises de sofrimento, conseqüência do desprezo da moça, a esquecer de sua amada, sem deixar transparecer seus próprios interesses por ela. Jorge, um rapaz bonito, mas previsível e superficial, freqüentador da casa de Guiomar é outro que também lhe deseja.
Três homens lutando pela mão de uma única moça em um jogo de sutileza, declarações e astúcia.
Com o típico ritmo das narrativas machadianas já podemos perceber as finas doses de ironia tão comuns em suas histórias. A Mão e a Luva, o segundo romance escrito pelo grandioso Machado de Assis, já nos mostra algumas das características, singulares na história da literatura, que imortalizaram o maior de todos os escritores brasileiros.
Machado de Assis
Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, aquele que viria a tornar-se o maior escritor do país e um mestre da língua, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que freqüentará o autodidata Machado de Assis.
De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Criado no morro do Livramento, consta que ajudava a missa na igreja da Lampadosa. Com a morte do pai, em 1851, Maria Inês, à época morando em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é até provável que assistisse às aulas nas ocasiões em que não estava trabalhando.
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De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Criado no morro do Livramento, consta que ajudava a missa na igreja da Lampadosa. Com a morte do pai, em 1851, Maria Inês, à época morando em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é até provável que assistisse às aulas nas ocasiões em que não estava trabalhando.
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