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A Princesa da Babilônia

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A Princesa da Babilônia

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VOLTAIRE - SEU CONTO MAIS FAMOSO

Segundo o oráculo babilônico, o rei Belus só poderia dar a mão de sua filha para o pretendente que conseguisse realizar as mais difíceis provas do mundo antigo. A mais bela de todas as princesas...

Eis que dentre todos os reis do mundo, quem cumpre com êxito todas as provas é um nobre desconhecido de nome Amazam.

Mas, Amazam precisa voltar à sua pátria e deixa para trás a princesa Formosante que a esta altura já está apaixonada. Com a ajuda de uma ave , o Fenix falante, Formosante parte em busca de seu amado. E busca por todo o mundo, pois Amazam já deixou sua terra, uma vez que houviu boatos de uma suposta traição de sua princesa.

Informações adicionais

Título A Princesa da Babilônia
Autor Voltaire
Editora Universidade Falada
Áudio Narração Profissional
Locução Walquiria B.
Tempo de duração 3 horas e 13 minutos
Audiolivro em MP3 - para download
Classificação Muito Bom
Preço R$ 11,99
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“A princesa de Babilônia” é uma novela de leitura agradável, além de extremamente instrutiva. Voltaire apresenta, concomitantemente: amor ingênuo e puro, amor carnal, fidelidade e traição, amizade, ódio, vingança, inveja, prazer e dor, guerras, mortes, ressurreição, afeição e respeito pelos animais.

O jovem herói Amazam se apaixona por Formosante, a princesa da Babilônia. Julgando-se traído resolve correr o mundo e Formosante sai em busca dele para desfazer o equívoco e comprovar sua fidelidade. É o recurso que Voltaire emprega para descrever os costumes e instituições de inúmeras nações e culturas da antigüidade e, como sempre, criticá-las com ironia e acidez.

O autor, nesta obra, é um pouco parcimonioso em suas irreverências, mas não deixa de ser cáustico algumas vezes. Sobre as batalhas, tão freqüentes na antigüidade como hoje, Voltaire é incisivo: Os homens que comem carne e tomam beberagens fortes têm todos um sangue azedo e adusto, que os torna loucos de mil maneiras diferentes. Sua principal demência se manifesta na fúria de derramar o sangue de seus irmãos e devastar terras férteis, para reinarem sobre cemitérios. A respeito da ressurreição, tema que Voltaire tratava com desdém, aqui fala com uma profundidade e percuciência dignas de meditação: — A ressurreição, Alteza – disse-lhe a fênix, – é a coisa mais simples deste mundo. Não é mais surpreendente nascer duas vezes do que uma. Tudo é ressurreição no mundo; as lagartas ressuscitam em borboletas, uma semente ressuscita em árvore; todos os animais, sepultados na terra, ressuscitam em ervas, em plantas, e alimentam outros animais, de que vão constituir em breve uma parte da substância: todas as partículas que compunham os corpos são transformadas em diferentes seres.

É verdade que sou o único a quem o poderoso Orosmade concedeu a graça de ressuscitar na sua própria natureza. A mesma fênix demonstra quão ridícula é a pretensão humana de dominar o conhecimento sobre a origem dos homens e, enfim, de todas as coisas: — E tu – perguntou o rei da Bética à fênix, – que pensas a respeito? — Sire – respondeu a fênix, – sou ainda muito jovem para estar informada da antigüidade. Não vivi mais que uns vinte e sete mil anos; mas meu pai, que viveu cinco vezes essa idade, me dizia haver sabido, por meu avô, que as regiões do Oriente sempre foram mais povoadas e mais ricas que as outras. Sabia, por seus antepassados, que as gerações de todos os animais tinham começado às margens do Ganges. Quanto a mim, não tenho a vaidade de ser dessa opinião. Não posso acreditar que as raposas de Albion, as marmotas dos Alpes e os lobos das Gálias venham do meu país; da mesma forma, não creio que os pinheiros e os carvalhos das vossas regiões descendam das palmeiras e dos coqueiros da Índia. — Mas de onde vimos então? – indagou o rei. — Nada sei – respondeu a fênix. – Desejaria apenas saber para onde poderão ir a bela princesa da Babilônia e o meu querido amigo Amazan. Insistindo sobre a fragilidade do conhecimento humano, Voltaire, pelas palavras de milorde “What-then” (milorde Que Importa), habitante de Albion (Inglaterra), afirma: Com o mesmo espírito que nos fez conhecer e sustentar os direitos da natureza humana, elevamos as ciências ao mais alto ponto a que possam chegar entre os homens.

Os vossos egípcios, que passam por tão grandes mecânicos; os vossos hindus, a quem julgam tão grandes filósofos; os vossos babilônios, que se vangloriam de haver observado os astros durante quatrocentos e trinta mil anos; os gregos, que escreveram tantas frases e tão poucas coisas, não sabem precisamente nada em comparação com os nossos menores colegiais, que estudaram as descobertas de nossos grandes mestres.

Arrancamos mais segredos à natureza no espaço de cem anos do que os descobriu o gênero humano na multidão dos séculos.

Voltaire


Voltaire

François-Marie Arouet (21 de Novembro de 1694, Paris - 30 de Maio de 1778, Paris), mais conhecido pelo pseudônimo Voltaire, foi um poeta, ensaísta, dramaturgo, filósofo e historiador iluminista francês.

Voltaire introduziu várias reformas na França, como a liberdade de imprensa, um sistema imparcial de justiça criminal, tolerância religiosa, tributação proporcional e redução dos privilégios da nobreza e do clero.

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