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Discutindo a Ilíada - Parte 2

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Discutindo a Ilíada - Parte 2

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PARTE 2 DO ÁUDIOLIVRO

A pergunta sobre a origem de Homero é objeto de grande discussão há séculos.

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Título Discutindo a Ilíada - Parte 2
Autor Viktor D. Salis
Editora Universidade Falada
Áudio Narrado pelo Autor
Tempo de duração 50 minutos
Audiolivro em MP3 - para download
Classificação Muito Bom
Preço R$ 7,89

PARTE 2 DO ÁUDIOLIVRO

A pergunta sobre a origem de Homero é objeto de grande discussão há séculos.

Não é possível precisar se foi um ou vários autores quem escreveu a Ilíada e a Odisséia. O que se sabe com certeza é que o nome Homero, significa "aquele que não vê". Mas esta era a designação que se dava a todos os Aedos, que eram aqueles educados para transmitirem a tradição sagrada.

Eram normalmente cegos de nascença e grandes iniciados na tradição profética de Apolo: "Cegos para a luz, eles vêem o invisível", dizia uma inscrição em Delfos. Eram verdadeiras “bíblias vivas", uma vez que a tradição sagrada não podia ser transmitida sendo oralmente, sendo a escrita proibida, embora fosse muito bem conhecida; estava reservada aos textos laicos, sendo Homero dos primeiros que registrou esta tradição secular na forma escrita.

Hesíodo também o fez e há quem afirme que foi antes mesmo de Homero. (veja "A Teogonia" e os "Trabalhos e os Dias", que também tem um caráter bíblico).

Além disso, o nome "Tirésias" também designava um Aedo, não sendo um nome próprio também, erro praticado por muitos autores.


Podemos concluir então:

1- É irrelevante se existiu ou não e se foi um ou vários. O que importa é a beleza e profundidade extraordinárias das obras. Trata-se de uma discussão acadêmica e tola - própria dos círculos universitários - do tipo das teses que pesquisam o comportamento de um fio de cabelo na casca do ovo.

2- Homero e Tirésias não são nomes próprios, mas atributos dos aedos, podendo designar qualquer Aedo. É inútil, portanto, procurar quem foi quem. Quem quer que tenha sido Homero, jamais saberemos seu verdadeiro nome, pois não era costume revelá-lo, ao contrário, era interdito, pois um profeta de Apolo não tinha nome próprio; era o deus aqui na terra.

3- Mais importante: A modernidade, em sua obtusa erudição acadêmica, transformou estas obras sagradas e bíblicas em mera literatura, perdendo o que elas têm de mais precioso: seu poder educacional e formador ético; seu conteúdo iniciático e alquímico e a chance de a partir delas educar o jovem de hoje para torná-lo uma “obra de arte ética e criadora".

A educação hoje forma animais consumistas, gananciosos e competidores selvagens e aéticos.
Que desperdício para a modernidade, não é?

Viktor D. Salis


VIKTOR D. SALIS nasceu em Atenas-Grécia.Formou-se em Psicologia em 1971 pela Puc-SP e estudou Epistemologia Genética com Jean Piaget em Genève-Suiça, onde completou seu primeiro doutorado em 1977, voltado ao desenvolvimento ético e social da criança e do adolescente.

Em 1981 estudou “A ética dos mitos da Paidéia na formação do homem grego na Antigüidade” com Igor Caruso na Universidade de Salzburg, obtendo seu segundo doutorado.

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