Existe algo pior para a alma do que a dúvida? Do que a incerteza frente a fatos confusos? Bentinho, o narrador desta história, escreve o livro para tentar provar que suas ações não foram simplesmente baseadas em um ciúme cego e irracional, mas, ao contrário, que suas impressões estavam corretas. Fora criado junto com Capitu desde criança, e, pouco antes de entrar no seminário, por ter sido obrigado, jurara amor eterno à vizinha dos famosos 'olhos de cigana oblíqua e dissimulada'. Quando finalmente consegue se livrar da carreira de padre, casa-se com ela e fica muito feliz, até a hora que Bentinho se questiona sobre um possível romance entre sua mulher e seu melhor amigo. Capitu, a moça dos 'mais belos braços da noite', traiu ou não Bentinho? Será que as semelhanças de seu filho com seu amigo são provas do adultério, ou são mais uma obra do acaso?
Machado de Assis
Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, aquele que viria a tornar-se o maior escritor do país e um mestre da língua, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que freqüentará o autodidata Machado de Assis.
De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Criado no morro do Livramento, consta que ajudava a missa na igreja da Lampadosa. Com a morte do pai, em 1851, Maria Inês, à época morando em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é até provável que assistisse às aulas nas ocasiões em que não estava trabalhando.
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De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Criado no morro do Livramento, consta que ajudava a missa na igreja da Lampadosa. Com a morte do pai, em 1851, Maria Inês, à época morando em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é até provável que assistisse às aulas nas ocasiões em que não estava trabalhando.
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